terça-feira, 22 de junho de 2010

FARMÁCIA HOSPITALAR - OUTRAS INFORMAÇÕES

FARMÁCIA HOSPITALAR - OUTRAS INFORMAÇÕES

I

NFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS:

a) Administrativa
b)Técnico-Científica

Nos últimos tempos, com o rápido crescimento das pesquisas na área farmacêutica, as informações aumentaram em progressão geométrica, tornando-se difícil dominar o conhecimento na área do medicamento.

Assim visando a democratização do próprio conhecimento, imprescindível ao estabelecimento de uma política de uso racional de medicamentos, surgiram os chamados Centros de Informação de Medicamentos, a nível hospitalar, regional ou nacional, para responder às necessidades dos membros da equipe de saúde, paciente e comunidade.

O MS (1994:58) cita como objetivos específicos de um Centro de Informação de Medicamentos (CIM):

 Selecionar, avaliar, interpretar, classificar, organizar e centralizar informações especializadas de fontes bibliográficas idôneas, sobre medicamentos;

 Gerar informações atualizadas sobre medicamentos aos membros da equipe de saúde, aos pacientes e comunidade para obter segurança, eficácia e economia no uso de medicamentos;


 Servir de local de ensino para farmacêuticos e demais membros da equipe de saúde, estimulando o uso efetivo de fontes de informação idôneas.

ENSINO E PESQUISA:

Complementando as funções básicas, que são prioritárias, podemos encontrar outras mencionadas por Molina (1993) que deverão ser consideradas tão somente a partir da consolidação das primeiras, sempre buscando uma assistência farmacêutica racional e segura.

FUNÇÕES COMPLEMENTARES DA FARMÁCIA HOSPITALAR:

 Estudos de Utilização dos Medicamentos:
 Participação em um Desenho de Protocolo de Tratamento:
 Educação Sanitária sobre Medicamentos:
 Participação em Programas de Farmacovilância:

 Programa de Farmacocinética Clínica:
 Programa de Suporte Nutricional:
 Cooperação nos Programas de Garantia de Qualidade Assistencial:
 Atividades Docentes:
 Atividade de Pesquisa:
 Adaptação e Aplicação da Experiência da Farmácia Hospitalar à Atenção Primária:
 Participação em Comissões:

 Estudos de Utilização dos Medicamentos:

Esse estudo serve para detectar a prevalência da prescrição de medicamentos e apreciar diferenças qualitativas e quantitativas que levariam a estabelecer a relação entre indicação e prescrição, e a oferecer subsídios necessários à correção de eventuais distorções quanto à utilização dos medicamentos (MS,1994).

Definido como a comercialização, distribuição, prescrição e uso de medicamentos na sociedade, com especial destaque sobre as conseqüências médicas, sociais e econômicas, a utilização dos medicamentos tem como objetivos a quantificação atual da utilização, a determinação do perfil de uso em relação ao tempo e a identificação das tendências de uso (OMS,1987).

 Participação em um Desenho de Protocolo de Tratamento:

Em quase todas as unidades hospitalares encontram-se protocolos de tratamento e mesmo que não estejam documentados devidamente estão implícitos nas condutas médicas de rotina.

Os antibióticos são a classe de medicamentos mais protocolados em função da importância do que o uso irracional dessas drogas pode provocar. Visando o controle das infecções hospitalares, os hospitais procuram unificar a terapia utilizada sendo importante a participação do farmacêutico na elaboração de rotinas.

Além dos antibióticos os anticoagulantes, opiáceos e outros também aparecem com protocolos de utilização em várias unidades de saúde, devendo ser avaliados e atualizados periodicamente.

 Educação Sanitária sobre Medicamentos:

O farmacêutico hospitalar, como especialista em medicamentos, deve ter uma ativa participação no assessoramento e elaboração de programas, na educação sanitária do pacientes e públicos em geral e informação/educação de outros profissionais de saúde, sem esquecer que as informações sobre aspectos relacionados com o tratamento farmacológico constituem tão somente uma parte da assistência informativa e educativa a ser fornecida ao paciente.

A maior parte das experiências encontradas na literatura, refere-se a informações aos pacientes sobre medicamentos por ocasião de sua alta hospitalar, nesses casos o farmacêutico reforça as instruções fornecidas pelo médico.

A educação sanitária sendo uma tarefa multidisciplinar e integrada de modo natural na atividade assistencial de cada hospital, conta com o serviço de farmácia para assumir a responsabilidade na área de medicamentos (OPAS,1987).

 Participação em Programas de Farmacovilância:

Para que um medicamento entre no mercado são submetidos a diversos estudos em animais e no homem para se estabelecer suas características farmacológicas. Mesmo passando por todos os pré-requisitos, surgem depois de um tempo de uso efeitos farmacológicos inesperados, efeitos adversos desconhecidos, etc...

Os ensaios clínicos aos quais são submetidos os medicamentos antes de sua comercialização não são capazes de detectar reações adversas de ocorrência rara, bem como aquelas associadas à administração prolongada do fármaco. Além disso é preciso levar em consideração o caráter restritivo que normalmente possuem os ensaios clínicos quanto à seleção dos pacientes, tornando impossível conhecer os efeitos dos fármacos sobre populações muito jovens ou muito idosas ou em situações patológicas passíveis de alterar o efeito destes fármacos, como a insuficiência renal, a insuficiência hepática, et., ou outras condições, como a gravidez (Castro,1998).

Tendo-se em vista todas estas considerações, é fácil deduzir que quando um medicamento é introduzido no mercado, é impossível se conhecer plenamente toda a gama de seus possíveis efeitos, e em conseqüência a vigilância do possível aparecimento de efeitos não detectados principalmente nos primeiros anos de uso de um fármaco é essencial (Oliveira,1989).

Com o elevado número de fármacos potentes utilizados na atualidade a necessidade da farmacovigilância definida pela OPAS (1997) como a notificação, o registro e a avaliação sistemática das reações adversas aos medicamentos, não é só uma questão de princípio, mas também uma necessidade prática.

Médicos, farmacêuticos e enfermeiros devem cooperar em tais programas. O farmacêutico, por sua intervenção na distribuição racional de medicamentos, tem em suas mãos uma informação completa dos tratamentos que recebe cada paciente e pode, portanto, prevenir a aparição de muitas reações adversas por causa de sensibilização alérgica, por interações medicamentosas ou por dosagem incorreta.
Pode também suspeitar do aparecimento de uma reação adversa no paciente seja por comunicação pessoal de enfermagem, por mudança brusca ou suspensão de um tratamento, ou por observação direta.

Da mesma forma pode se dar através do sistema de informação de medicamentos que recebe freqüente consulta dos clínicos. Em qualquer dessas ocasiões, o farmacêutico pode discutir com o médico a conveniência de comunicar a reação adversa detectada e assim estimular o funcionamento do sistema de farmacovigilância por comunicação voluntária (Molina,1993).

 Programa de Farmacocinética Clínica:

A farmacologia, as técnicas analíticas e a medicina têm experimentado um grande avanço nos últimos anos, tornando possível e importante a incorporação da farmacocinética na rotina clínica: dispõe-se de fármacos mais efetivos e potencialmente mais tóxicos, cuja eficácia e segurança podem ser aumentadas individualizando suas doses. A necessidade desta individualização surge da grande variação que existe na relação dose prescrita/intensidade do efeito farmacológico para os distintos pacientes, Neste sentido, a determinação dos níveis plasmáticos de alguns fármacos e sua posterior interpretação farmacocinética são uma boa aproximação para otimizar sua eficácia e minimizar seus efeitos secundários (OPAS,1987).

Segundo Molina (1993), o farmacêutico hospitalar deve colaborar em um sistema de monitorização farmacocinética que se adapte melhor às necessidades e possibilidades de seu hospital e que necessariamente será um sistema multidisciplinar.

 Programa de Suporte Nutricional:

O fornecimento dos nutrientes necessários com o mínimo de efeitos secundários aos pacientes, sem condições de usar a via oral para se alimentar, é o objetivo do programa de suporte nutricional.

Esse programa é multidisciplinar devendo haver uma parceria entre enfermeiros, médicos, farmacêuticos e nutricionistas para que resulte em benefício para o paciente.

A legislação vigente determina que as manipulações de soluções utilizadas na nutrição parenterais devam ser feitas somente por farmacêutico observando os padrões mínimos de qualidade exigidos.

 Cooperação nos Programas de Garantia de Qualidade Assistencial:

Como integrante de uma unidade de saúde, o serviço de farmácia participa de programas de garantia de qualidade realizados dentro da sua própria unidade.
Aos altos gastos no segmento saúde tem que ser compatíveis com a qualidade dos serviços prestados.

 Atividades Docentes:

A docência, definida como a ação de transmitir conhecimentos, atitudes e habilidades, desempenha um papel muito importante no serviço farmacêutico hospitalar, e torna-se fundamental quando se trata de um serviço credenciado para a formação de especialistas em Farmácia Hospitalar (Simó,1998).

 Atividade de Pesquisa:

O serviço de farmácia pode desenvolver uma atividade científica própria e/ou participar em certas atividades de pesquisa como:

 Estudos de utilização de medicamentos;
 Farmacocinética clínica;
 Farmacovigilância;
 Ensaios clínicos;
 Outras.

Através de publicações científicas e participação em congressos essas atividades podem ser divulgadas.

 Adaptação e Aplicação da Experiência da Farmácia Hospitalar à Atenção Primária:

Os novos rumos da assistência farmacêutica têm contribuído de forma significativa ao emprego mais racional dos medicamentos. Assim, se transporta esta orientação em nível da atenção primária à saúde poder-se-á também melhorar os hábitos de prescrição e utilização dos medicamentos fora do hospital (Molina,1993).

A FARMÁCIA HOSPITALAR pelas especiais condições em que desenvolve suas atividades, proximidade do médico, enfermeiro e paciente, caráter multidisciplinar, etc é um lugar adequado para impulsionar a aceitação do farmacêutico na equipe assistencial e para servir de marco para preparação e formação continuada dos farmacêuticos que devem compor a equipe de atenção primária (OPAS,1989).



 Participação em Comissões:

A participação do farmacêutico em comissões é importantíssima para o desenvolvimento das atividades da FARMÁCIA HOSPITALAR sendo fundamental para a implantação de uma política de uso racional de medicamentos além de assegurar a qualidade dos medicamentos adquiridos e manipulados no hospital.

Algumas comissões podem ser citadas como:

 Comissão de Parecer Técnico;
 Comissão de Farmácia e Terapêutica;
 Comissão de Suporte Nutricional;
 Comissão de Controle de Infecção Hospitalar;
 Comissão de Recebimento de Materiais;
 Outras.

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