segunda-feira, 21 de junho de 2010

FARMÁCIA HOSPITALAR - AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS

FARMÁCIA HOSPITALAR - AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS



As aquisições de medicamentos podem ser realizadas através de diversas modalidades, tais como, Compra Direta, Licitação Pública ou Privada ou através de Cooperativas visando economia de escala. É ideal que existam algumas normas básicas que permitam que as aquisições de medicamentos e que possam tornar o processo mais transparente. Um passo importante que pode ser utilizado como exemplo, seria constituir uma Comissão de Compras ligada ao Departamento de Compras do Nosocômio, com integrantes dos setores responsáveis pelos insumos necessários ao funcionamento da instituição. A elaboração de normas para a aquisição de medicamentos é um grande passo para uma Assistência Farmacêutica de baixo custo e de boa qualidade. A revisão das cotações apresentadas pelos fornecedores deve ser uma constante na sistemática de aquisição, além de existirem normas para aquisições de medicamentos padronizados e de uso emergencial.

A aquisição de medicamentos, na maioria das unidades de saúde, é feita pela própria unidade podendo ser feita diretamente pelo serviço de farmácia, por delegação da gerência, administração ou direção da unidade.

Nas aquisições os passos a serem seguidos são: a elaboração do pedido pelo serviço de farmácia que o envia, quando não o adquire diretamente, ao setor de compras do hospital para providenciar a compra.

Para que o hospital compre medicamentos, germicidas e/ou correlatos é preciso ter conhecimento das seguintes questões:

• Das características intrínsecas e do nível de qualidade do produto a ser adquirido;
• Da compatibilidade entre as necessidades de aquisição e as atividades assistenciais das instituições;
• Da política de suprimentos da instituição e de dados referentes ao consumo dos produtos passíveis de aquisição;
• Do modelo de consumo e de sua influência na política de medicamentos;
• Da qualidade que se pode esperar dos produtos, verificando-se a capacidade técnica para o fornecimento;
• Das informações sobre o tempo de entrega dos produtos;
• Da disponibilidade de recursos orçamentários da instituição e das formas de pagamento;
• Da capacidade de armazenagem essencial à manutenção das características dos produtos adquiridos.

É importante ressaltar que uma interrupção dos níveis de estoque implicará numa interrupção da assistência farmacêutica na Unidade de Saúde, assim deverá haver um sistema de informações monitorando todo o processo a que estará submetido cada material, objetivando manter estoques contínuos.

Quando se trata de aquisição lembra-se de controle de estoque que pode ser definido como o conjunto de artigos acumulados à espera de sua utilização posterior, mais ou menos próxima, e que permite prover os usuários na medida de suas necessidades, sem impor a eles os atrasos da fabricação ou da entrega pelos fornecedores (Nogueira, 1998).

Uma gestão de controle de estoque bastante utilizada é a classificação ABC onde em A situam-se de 10 a 15% dos produtos estocados representando de 70 a 80% do valor monetário, em B situam-se de 20 a 40% dos produtos estocados representando de 10 a 30% do valor monetário e em C situam-se de 50 a 60% dos produtos estocados representando de 3 a 10% do valor monetário.

Os produtos de classificação A necessitam de maior controle por serem os mais caros enquanto os mais baratos, classificação C, necessitam de menor controle. Essa classificação ABC serve para orientar todo o processo de aquisição pois é um instrumento valioso no controle de estoque.

Com uma política de compras de medicamentos definida, o setor privado consegue gerenciar bem o processo negociando com facilidade com os fornecedores, criando um fluxo constante de aquisição indispensável à manutenção dos estoques nas unidades.

Quando se observa o setor público nota-se a dificuldade para a aquisição de quaisquer produtos e/ou serviços. A obediência a Lei nº 8666/93 faz com que os processos de compra sejam demorados tornando mais caros os próprios medicamentos, que são oferecidos aos órgãos públicos com os custos da máquina burocrática embutidos. Aliado a esse fator soma-se a questão do orçamento que parece sumir no momento que se vai usá-lo.



Referências

  • ASHP. Guidelines of Single Packages of Drug. American Journal Hospital Pharmacy. Washigton. 28:110-12. Feb. 1971.
  • Harrisson, B.R. Developing guidelines for working. American journal Hospital Pharmacy v. 38 p 1686-1693, nov. 1981
  •  Hepler, C.D. & Strand, L.M. (1990). Opportunities and responsabilities in pharmaceutical care. A m j Hosp. Pharm 47: 533-543.
  • Ministério da Saúde. Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar, 1994. Guia Básico para Farmácia Hospitalar. Brasília: Edição pela Divisão de Editoração Técnico - Científica / Coordenação de Documentação e Informação/Secretaria de Administração Geral/ CDI/SAG/MS.
  •  Maia Neto, J. F., 1990. Farmácia Hospitalar. Um enfoque Sistêmico. Brasília: Thesaurus Editora.
  •  Maia Neto J.L, 2005  Farmácia Hospitalar e suas Interfaces com a Saúde , São Paulo, Rx editora
  •  Nogueira, H., 1961. Serviço de Farmácia nos Hospitais. Rio de Janeiro, RJ: Artigo publicado na Revista Brasileira de Farmácia n°3/4, março/abril de 1961.
  •  Roark, M., 1993. Slowing rate of cost increase in the Pharmacy, Hospitals 67(2): 56.
  •  Ryan, B. A, 1993. The rising cost of Fharmaceuticals: An Industry observer’s perspective. Am. J. Hosp. Farm. 50, suppl 4: 53 - 54.
  •  SBRAFH, 1996/1997. Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar, 1996/1997. Padrões Mínimos para Unidades de Farmácia Hospitalar. Belo Horizonte, 1997
  •  Sociedad Española de Farmacia Hospitalaria, 1990. Criterios y Estandares de Practica para Servicios de Farmacia Hospitalaria. Madrid, España: Edita y Distribuye: Consejo General de Colegios Oficiales de Farmacéuticos.
  •  Wilken, P.R.C. & Bermudez, J.A.Z (1999). A Farmácia no Hospital. Como avaliar ?. Rio de Janeiro: Editora Ágora da Ilha.







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